Quando os compradores estrangeiros planeiam uma compra no Algarve Ocidental, a questão bancária tende a surgir mais tarde. Nessa altura, a atenção centra-se no imóvel e na data de conclusão da transação, e a questão prática de onde o dinheiro ficará efetivamente depositado passa para segundo plano.
No entanto, vale a pena perguntar com antecedência, porque a resposta influencia decisões que são mais fáceis de resolver antes da conclusão do que depois. Uma conta bancária em Portugal nem sempre é essencial para a compra, mas muitas vezes torna os anos de propriedade que se seguem mais tranquilos.
Resposta rápida
- Legalmente, não precisa de uma conta bancária em Portugal para concluir uma compra, uma vez que os fundos podem ser movimentados através da conta de clientes do seu advogado.
- Uma conta local torna-se útil posteriormente, para débitos diretos relativos ao IMI, serviços públicos e despesas de condomínio.
- Normalmente, precisará de um número de identificação fiscal português, o NIF, antes de um banco lhe abrir uma conta.
- Os bancos oferecem contas para não residentes e alguns permitem-lhe iniciar o processo à distância.
- Esteja preparado para verificações de combate ao branqueamento de capitais; por isso, tenha à mão comprovativos de identidade, morada e origem dos fundos.
É Realmente Necessária uma Conta para Concluir a Transação?
A rigor, normalmente é possível comprar sem uma conta portuguesa. Os fundos para a conclusão da transação são normalmente transferidos através da conta de clientes do seu advogado, e o notário está habituado a receber pagamentos por transferência bancária ou cheque bancário do estrangeiro.
Isso significa que a compra em si raramente depende de ter um IBAN local. Onde uma conta portuguesa tende a revelar a sua utilidade é em tudo o que se segue, assim que as chaves forem suas e as despesas de manutenção começarem. A nossa visão geral sobre o direito imobiliário no Algarve apresenta o contexto jurídico mais alargado, e vale a pena compreender quando recorrer a um advogado para comprar um imóvel em Portugal torna estes passos mais simples.
O que uma conta local facilita
Ser proprietário de uma casa em Portugal implica uma série de pagamentos recorrentes, e a maioria é configurada por débito direto. Uma conta local tende a ser a forma mais simples de os organizar.
- O IMI, o imposto municipal anual sobre imóveis, que a autoridade fiscal pode cobrar por débito direto de uma conta portuguesa.
- Serviços públicos, como água e eletricidade, em que os fornecedores geralmente preferem um débito direto nacional.
- Quotas de condomínio em apartamentos e empreendimentos partilhados, muitas vezes cobradas da mesma forma.
- Reembolsos de hipotecas, caso contraia um empréstimo localmente, uma vez que as entidades credoras portuguesas normalmente exigem que os pagamentos sejam efetuados a partir de uma conta portuguesa.
Nada disto é impossível a partir de uma conta no estrangeiro, mas os pagamentos internacionais podem ser mais lentos e mais dispendiosos. Uma conta local com débitos diretos permanentes elimina grande parte desses transtornos.
O que o banco irá solicitar
Antes de um banco abrir qualquer conta, irá precisar de um número de identificação fiscal português, o NIF. É a referência que o vincula ao sistema fiscal, e a maioria dos bancos considera-o como ponto de partida.
Para além do NIF, conte com as habituais verificações de identidade e antecedentes. Os bancos portugueses aplicam regras contra a lavagem de dinheiro, pelo que irão querer verificar quem é e de onde provêm os seus fundos.
- Um passaporte válido ou documento de identificação nacional.
- O seu NIF e, frequentemente, comprovativo de morada no seu próprio país.
- Comprovativo de rendimentos ou da origem dos fundos que pretende transferir.
Ter estes documentos preparados com antecedência tende a acelerar o processo. Os requisitos variam de banco para banco, e a entidade reguladora, o Banco de Portugal, publica orientações gerais sobre o funcionamento das contas e das verificações aos clientes.
Contas para não residentes e abertura à distância
Não é necessária residência em Portugal para abrir uma conta. Os bancos oferecem contas para não residentes concebidas precisamente para esta situação, e normalmente pode converter a conta numa conta de residente mais tarde, caso se mude para Portugal.
Alguns bancos permitem que inicie o processo à distância, através dos seus serviços internacionais ou nomeando alguém com uma procuração, embora muitos ainda prefiram verificar a sua identidade pessoalmente ou por vídeo numa determinada fase. Vale a pena perguntar com antecedência qual a forma preferida por um determinado banco para dar as boas-vindas a compradores que ainda se encontram no estrangeiro.
- As contas de não-residentes podem, muitas vezes, ser abertas antes de obter a residência, ou mesmo antes da conclusão do processo.
- Alguns bancos oferecem a abertura remota ou parcialmente online, sujeita às suas próprias verificações.
- As comissões de manutenção mensais das contas de não-residente variam, pelo que vale a pena comparar antes de se comprometer.
Escolher o momento certo
Uma regra prática útil é tratar primeiro do NIF e, em seguida, da conta, idealmente antes da conclusão da compra. Dessa forma, os débitos diretos relativos a serviços públicos, IMI e quaisquer despesas de condomínio podem ser organizados à medida que a propriedade é transferida, em vez de ter de os ir atrás posteriormente.
Deixar isso para depois da escritura não é um desastre, mas pode criar um intervalo em que as contas vencem antes de os seus meios de pagamento estarem em vigor. Um pouco de organização nesta fase poupa correria mais tarde.
Erros comuns
- Presumir que é obrigatório ter uma conta em Portugal para comprar, quando a conclusão da compra é frequentemente feita através da conta de cliente de um advogado.
- Tentar abrir uma conta antes de obter um NIF, que a maioria dos bancos exige em primeiro lugar.
- Subestimar as verificações da origem dos fundos, ficando depois retido devido à falta de documentação.
- Escolher a primeira conta que lhe for proposta sem comparar as comissões para não-residentes entre os bancos.
- Deixar a abertura da conta para depois da conclusão da transação, pelo que as primeiras faturas não podem ser configuradas para débito direto.
Resumo
Uma conta bancária portuguesa raramente é uma condição legal para a compra no Algarve, mas facilita discretamente a propriedade. É o local natural para os débitos diretos que mantêm um imóvel em funcionamento, desde os serviços públicos até ao IMI anual.
Tratar do seu NIF e de uma conta adequada antes da conclusão da transação coloca-o numa posição mais tranquila, com os custos de manutenção organizados desde o primeiro dia.
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