O mercado imobiliário português atingiu um marco significativo. No ano passado, em 2025, o setor atraiu 3,905 mil milhões de euros em investimento direto estrangeiro (IDE), o nível mais alto já registado.
À primeira vista, isto pode parecer apenas mais uma notícia sobre um mercado imobiliário forte. Mas o contexto por trás dos números conta uma história muito mais interessante e revela por que os compradores internacionais continuam a ver Portugal como um dos mercados imobiliários mais resilientes da Europa.
Para os investidores que consideram imóveis em Portugal, particularmente em mercados costeiros estabelecidos, como o Algarve, essa mudança tem implicações significativas.
O setor imobiliário agora domina o investimento estrangeiro em Portugal
O elemento mais marcante dos números mais recentes é a proporção do investimento que flui para o setor imobiliário.
Enquanto o investimento estrangeiro direto total em Portugal caiu drasticamente em 2025, diminuindo 34,9% para 8,51 mil milhões de euros, o setor imobiliário seguiu na direção oposta. O investimento no setor aumentou 10,4% em relação ao ano anterior, atingindo 3,905 mil milhões de euros.
Como resultado, o setor imobiliário representa agora 45,9% de todo o investimento estrangeiro direto que entra em Portugal, a maior quota alguma vez registada.
Para contextualizar:
- Há uma década, o setor imobiliário representava apenas 19,3% do investimento estrangeiro.
- Durante a crise financeira de 2012, caiu para 6,7%.
Por outras palavras, o setor evoluiu de um canal de investimento secundário para um dos pilares centrais dos fluxos de capital internacional para Portugal.
O investimento continua concentrado em regiões-chave
Embora o investimento imobiliário se tenha espalhado por todo o país, a maioria continua concentrada em três regiões principais:
- Grande Lisboa
- Norte de Portugal
- Algarve
Em conjunto, estes mercados representam cerca de 80,5% do stock total de investimento ligado ao imobiliário no país.
Esta concentração reflete um padrão familiar. Estas regiões combinam infraestruturas sólidas, acessibilidade internacional, mercados imobiliários estabelecidos e procura consistente de arrendamento – fatores que os investidores institucionais e privados normalmente priorizam.
Para os compradores estrangeiros, isso também explica por que mercados como o Algarve continuam a apresentar um forte desempenho, mesmo quando os ciclos de investimento globais mais amplos flutuam.
O fim do Golden Visa não desacelerou o mercado
Uma das mudanças mais discutidas no setor imobiliário português foi o fim da rota do Golden Visa através do imobiliário residencial em 2023.
Muitos comentadores previram que isso reduziria significativamente a procura internacional.
Os dados mais recentes sugerem o contrário.
Apesar da eliminação deste programa, o investimento imobiliário continuou a atingir níveis recorde.
Isto indica que o mercado é cada vez mais sustentado pela procura estrutural, em vez de compras motivadas por incentivos.
Os compradores atuais tendem a enquadrar-se em várias categorias:
- Pessoas que mudam de estilo de vida e procuram residência permanente em Portugal
- Compradores europeus de segunda habitação
- Investidores internacionais que visam rendimentos de arrendamento
- Capital institucional que investe em empreendimentos hoteleiros, residenciais e de uso misto
Em suma, o mercado amadureceu para além da sua anterior dependência dos programas de residência.
A Europa continua a ser a maior fonte de capital
Outro detalhe interessante nos dados de investimento é a origem do dinheiro.
Os países europeus continuam a ser a maior fonte de capital que entra em Portugal, representando 5,775 mil milhões de euros em investimentos em 2025.
Entre os maiores contribuintes encontram-se:
- Luxemburgo – 1,1 mil milhões de euros
- Reino Unido – aproximadamente 900 milhões de euros
- Alemanha – cerca de 800 milhões de euros
A presença contínua do Reino Unido é particularmente notável, tendo em conta o Brexit. Os compradores britânicos continuam a ser um dos grupos mais ativos no mercado imobiliário português, especialmente em regiões costeiras como o Algarve.
Por que é que Portugal continua a atrair compradores internacionais
Os números por si só não explicam totalmente o apelo de Portugal. Os fatores subjacentes são mais amplos e de longo prazo.
Do ponto de vista do investimento, vários fatores estruturais continuam a apoiar o mercado:
1. Estabilidade política e económica
Portugal continua a ser uma das democracias mais estáveis politicamente da Europa, com um crescimento económico estável projetado em cerca de 2% ao ano nos próximos anos.
2. Tendências de migração por estilo de vida
Um número crescente de compradores internacionais está a mudar-se permanentemente, particularmente do norte da Europa e da América do Norte.
3. Oferta limitada de habitação em áreas privilegiadas
A procura continua a exceder a oferta em muitos mercados estabelecidos, apoiando a resiliência dos preços.
4. Forte procura de arrendamento
As tendências do turismo e da relocalização sustentam os mercados de arrendamento de longo e curto prazo.
Em conjunto, estes fatores criam um ambiente imobiliário atraente não só para a valorização do capital, mas também para a geração de rendimentos.
Impacto nos compradores de imóveis no Algarve
Para os compradores que estão a considerar adquirir um imóvel no Algarve, os números recorde de investimento reforçam um ponto importante: a região continua a ser um dos pilares fundamentais do mercado imobiliário internacional de Portugal.
O Algarve combina várias vantagens que continuam a atrair capital:
- Conectividade com aeroportos internacionais
- Comunidades de expatriados estabelecidas
- Turismo durante todo o ano
- Elevada procura tanto para arrendamentos de férias como para residências de longa duração
Do ponto de vista do investimento, esta combinação tende a produzir liquidez consistente e resiliência a longo prazo, mesmo durante períodos de ajustamento mais alargado do mercado.
Ultrapassámos a «fase de boom»
Talvez a conclusão mais importante a retirar dos dados mais recentes seja que o mercado imobiliário português está a evoluir.
A fase inicial de rápido crescimento impulsionada por incentivos e investimento especulativo mudou gradualmente para um mercado mais maduro e integrado internacionalmente.
O nível recorde de investimento estrangeiro em 2025 reforça a ideia de que Portugal já não é simplesmente um destino imobiliário emergente, mas é cada vez mais visto como uma alocação estrutural dentro das carteiras imobiliárias internacionais.
Para compradores e investidores, essa distinção é importante. Ela sinaliza um mercado construído com base em fundamentos de longo prazo, em vez de incentivos de curto prazo.
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